Bolonha chega tarde para nós; mas a tempo para o futuro.
Finalmente uma tentativa palpável de melhorar o sistema de ensino em Portugal. O processo de Bolonha conjuga uma série de formas de tornar o ensino superior equiparável àquele que é praticado em países como os Estados Unidos e Austrália e que permite a tantos abrir uma ou três portas em vez de apenas entreabrir janelas. É um salto que muitos pensam não estarmos preparados para dar; um avanço que poderá colocar o país numa fasquia mais alta e prestigiada se tudo der certo; só saberemos quando tentarmos.
E, de facto, parece que a tentativa está para breve. Cursos de licenciatura que já terminam em mestrado, renovações e mudanças no decorrer dos mesmos para os tornar mais semelhantes com aqueles que têm lugar no resto da Europa. Principais objectivos? Aumento da competitividade do sistema europeu de ensino superior e a promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados do ensino superior no espaço europeu. Objectivos que, enquanto certamente requerendo um trabalho árduo, uma vez conseguidos provarão a eficácia do ensino e abrirão as ditas portas a estudantes de todo o continente.
O sonho de uma Europa Unida vem já de há vários anos e lentamente, parece estar a concretizar-se. Primeiro com a União Europeia e depois com a criação da moeda única, que tem vindo, sem dúvida, a facilitar a mobilidade no estrangeiro.
Estudos equiparados e com o mesmo corpo na maior parte dos países europeus vem permitir aos estudantes universitários uma maior facilidade de mobilidade dentro do continente, que se assemelha cada vez mais a um só país com diversos estados. O problema de programas como o programa Erasmus é exactamente esse de não oferecer equivalência na totalidade às cadeiras do país de origem, fazendo com que o estudante fique para trás nas mesmas e tenha de as voltar a fazer. A grande afluência ao programa vem, no entanto, demonstrar a vontade cada vez maior dos jovens conhecerem além fronteiras, de visitarem países vizinhos e de se misturarem com diferentes culturas. A maior parte dos estudantes Erasmus não vai tanto pelo estudo como por esta oportunidade de passar uns tempos fora de casa, de crescer, de voltar com novos valores e aptidões. O processo de Bolonha vem combinar uma maior equivalência com a oportunidade de conhecer novos horizontes. Os novos cursos vão permitir aos estudantes uma maior mobilidade dentro da Europa sem a preocupação de perder um ano de estudos.
Para além de influenciar a mobilidade, o novo programa de ensino vem trazer esperança no que toca a uma maior facilidade de encontrar emprego. Qualquer país da Europa será uma boa casa para um recém licenciado que não encontre o que quer a nível de emprego dentro do país de origem. Um estudante estrangeiro estará tão apto a arranjar emprego lá fora como um que tenha vivido no país toda a sua vida. Isto faz com que se gere um aumento da competitividade a nível europeu, o que trará consigo um maior esforço e uma maior motivação na aprendizagem por parte dos estudantes no intuito de conseguirem as melhores carreiras.
Penso que, se aplicado da maneira correcta, o processo de Bolonha vai finalmente fazer com que o estudante universitário se sinta útil. Vai trazer um maior sentido de orientação a quem não sabe bem o caminho a tomar e vai fazer com que o estudante sinta que tem um propósito e que uma carreira de sonho na profissão que escolheu pode já não estar tão longe como parecia. É caso para dizer que é uma pena que Bolonha não tenha decidido o mesmo à dez anos atrás e que a nossa geração já vá ficar pelo caminho.
